Não tenho mais palavras.
As pessoas estranham o meu silêncio.
Meu comportamento já não é mais o mesmo, e nem é mais o esperado.
No inicio, o silêncio não me permitia olhar para nada, eu não queria escutar as palavras que vinham do fundo de meu coração, eu me escondia de mim mesma.
Depois, quando aprendi a falar, não parei, expressava tudo o que eu sentia, todas as dores e os amores, conseguia colocar em palavras, meus medos, anseios e frustações.
Falei em demasia.
Mostrei-me para quem quisesse ver, e para quem pudesse me ouvir, sem reservas.
Não pude impedir que os sentimentos saíssem em formas de palavras e me mostrasse ao mundo, fui levada pelas palavras como o barco à deriva é levado pela maré.
Como dona deste mesmo barco tento com todas as forças ligar os motores e tomar conta do caminho que vou trilhar, pois à deriva, eu não faço a menor idéia onde irei parar.
Posso parar em águas calmas, seguir para algum porto seguro, posicionar-me tranquilamente, assim como posso parar em águas agitadas.
No momento eu não estou com sorte, eu estou no meio de aguas agitadas, talvez uma pororoca, o barco está sendo jogado de um lado o outro, sem controle de nada.
Os sentimentos tornaram-se o rio e a razão o mar, e ali na pororoca, meu barco a deriva, não consegue se equilibrar.
Absorvida em meu silêncio já não mais falo como antes.
Não consigo equilibrar meu barco, ele se afastou demais do porto e do CAPITÃO.
E, de longe, bem de longe vejo meu porto seguro. Daqui vejo as águas calmas que estão ao redor.
Quero voltar para lá. Eu preciso voltar para lá.
E, enquanto tento equilibrar o barco, tento arrumar os motores, MEU CAPITÃO, está lá, naquele porto seguro, ELE está ali observando, quer ensinar-me a autonomia, minha tripulação, está dentro de mim, e agora, vou colocar cada uma em seu lugar, e, dentro de pouco tempo, quando eu menos esperar, não mais terei meu barco a deriva.
Meu objetivo é ter a chance de me aproximar do porto seguro novamente, e quem sabe, reencontrar-me com o CAPITÃO, agora fortalecida e muito mais experiente.
Enquanto isso, eu faço das palavras o combustível deste barco, e com minha força irei aprender a calar quando for preciso e a falar quando for necessário.
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