quarta-feira, 21 de março de 2012

Relações contratuais.

Meu primeiro contato com o mundo BDSM foi contratual.

A princípio, achei muito interessante, pois sempre acreditei que o “ACORDADO NÃO SAI CARO”, mas nem tudo saiu como eu pensava.

Como eu estava chegando a este mundo, acreditava que poderia coordenar meus sentimentos e agir de maneira formal e burocrática, ledo engano o meu.

O BDSM é muito intenso para mim, muito envolvente, minha procura é pela entrega plena e eu aprendi que só se enterga plenamente a quem se ama, e uma vez que o AMOR entre em ação, começam os conflitos do contrato.

Cada um terá seu impasse, o meu foi com relação ao tempo, tínhamos um contrato com término previsto, como muitos outros que ELE havia visto, porém, este tipo de contrato não me trouxe a paz necessária para este minha relação, como fui pega de surpresa pelo AMOR, cada vez que se aproximava o término, eu simplesmente enlouquecia.

Infelizmente, eu não consegui traçar um bom contrato para esta minha relação, uma relação muito intensa, e que me trouxe uma FELICIDADE ímpar, que poderia ter durado muito mais tempo, se eu tivesse conseguido expressar o que me incomodava ou que simplesmente não tivesse a cláusula do tempo. Enfim, C’est la vie.

Hoje em dia consigo traçar várias cláusulas para um bom contrato, mas, meu verdadeiro desejo é NÃO TER UM CONTRATO A SEGUIR E SIM GUIAR-ME PELA MÃO DO DONO, poder criar cada dia um PONTO, cada momento uma conquista, cada ponto um traçado de uma história, a HISTÓRIA DE NÓS DOIS.

Para aqueles submissos que desejam traçar contratos com seus Senhores, e que nunca fizeram isso, deixo aqui, um exemplo bem simples para que possam ter uma idéia de como fazer, quem sabe assim posso ajudar àqueles que nunca traçaram um contrato a decidir alguns pontos que mais tarde torne-se uma zona de conflito.

Desejo a todos... FELICIDADES...

PS> Tenham ciência que o contrato traçado a seguir é apenas um exemplo, nunca foi usado por mim, nem por ninguém que conheço, e é óbvio que ali só tem a visão de uma submissa, quero apenas deixar aqui um exemplo de como pode ser.



Sophie Anais Nin





Contrato de Servidão:

SENHOR(A) FULANO(A) DE TAL e submisso(a) {beltrano(a)}_FULANO(A)DETAL

Em comum acordo, iremos assinar a seguir o contrato de servidão.
Aqui colocaremos tópicos que iremos seguir a finco, e, caso haja necessidade iremos fazer ao longo de nossa relação D/s os adendos necessários.

Nossos tópicos são:
• SEM MARCAR O TEMPO DE DURAÇÃO DO CONTRATO
• Uma segunda pessoa na relação só se for temporário (esta tem tempo de DURAÇÃO do contrato)
• Eu (submissa) tenho o direito de pedir uma conversa quando eu achar necessário para saber em que pé está nossa relação D/s.
• Tenho que ser informada das mudanças de status antes de uma sessão, se houver esta possibilidade.
• Não devo ser tratada com indiferença em momento algum.
• Sinceridade e respeito acima de qualquer coisa.
• Tenho que me sentir presente na vida do DONO, assim como sempre o deixarei presente em minha vida.
• Quero viver o BDSM junto as situações do cotidiano.
• Se houver uma submissa anterior a mim, quero saber como andam os planos, e quando houver a necessidade de falar sobre mim para a primeira submissa quero ser informada com antecedência.
• Gastos serão por conta do DONO, entrarei com um auxilio, e devo ser informada ou informarei quando o cancelamento de alguma sessão for à função de despesas.
• Sempre avisar com antecedência o cancelamento de uma sessão e informar o motivo.
• Vestimentas e fantasias por minha conta (submissa);
• Permito-me que seja conquistada pelo DONO.
• Quero um DONO que permita ser amado.
• Fotografias discretas podem ser postadas tanto em minha pagina de site do gênero BDSM quanto do DONO, porém com o sobrenome do DONO.
• Apresentação em eventos para observar o movimento SM, e se for combinado, podemos até participar de alguma cena.
• Sessões com uma frequência de ao menos 15 dias sendo as de noite toda no mínimo devem ser intercaladas, uma sim outra não (caso haja necessidade de ser mais curta conversar previamente sobre)
• Todas as regras podem ser negociadas por ambos os lados, até encontrarem um ponto satisfatório para os dois.
• NEGOCIAÇÃO SEMPRE.
• DONO tem o direito de escolher quando, onde, de que maneira, uma vez iniciada a sessão, a submissa (eu) entrego-me pela confiança que tenho a quem me guia.
• Em situações do cotidiano as despesas podem e devem ser divididas.
• Uso da safeword é de extrema importância, se fazendo necessária em todas as sessões, mas no caso de ela não ser usada, a submissa (eu) tem que ser avisada o momento que isso acontecerá, e cabe a mim, escolher se permitirei ou não deixar de usá-la.
• Rituais serão necessários, como por exemplo, beijar a mão do Dono onde eu (submissa) estiver em sinal de respeito e de submissão.
• Dono poderá sempre que quiser escolher a vestimenta da qual me apresentarei, e quando eu não o fizer terá o direito de me castigar da forma que desejar sempre me função do SSC.
• Dono sempre decidirá os castigos, a quantidade e o que usar e eu (submissa) não irei questionar ou intervir.
• Dono tem o direito a dar a ordem que quiser e eu tenho o direito de acatar, desde que mantenhamos o SSC.
• Dono tem o direito de escolher outra mulher conosco em uma sessão, assim como me emprestar de forma assistida para outro DOM, desde que saiba que terá que dar-me todo o apoio possível, como cuidados e proteção e estar ao meu lado se caso eu sentir necessidade de entender meus medos e meus questionamentos.
• Eu tenho o direito de pedir a presença do Dono, e assim que possível Dono poderá atender este meu pedido sem julgar meu pedido como “desequilíbrio emocional”.
• Em se tratando de uma sessão Hard, onde haverá feridas, tenho o DIREITO de ser cuidada pelo DONO indiferente de quanto tempo irá demorar estes cuidados.
• Devo sempre preparar nossa sessão junto ao Dono, assim como cuidar plenamente dele, desde seus cuidados pessoais até mesmo respeitando quando DONO deseja que eu fique afastada.
• Tenho o direito ao nome do Dono em minha coleira, assim como sua assinatura em fotos de nossas sessões, tanto em meu perfil de sites do gênero como no perfil DELE.
• Etc...

sábado, 17 de março de 2012

Essência de submissão

Há muito tempo atrás assisti a um filme chamado “O óleo de Lorenzo”, um bom enredo e excelentes atores, porém tratava-se da história verídica de um homem que vê seu filho retrocedendo em seu desenvolvimento devido a uma disfunção genética e não se conhecia uma forma de frear esta degeneração.

Neste filme, o pai, torna-se o pesquisador da doença do filho, e mesmo no meio de tantos problemas com a saúde debilitada do mesmo, consegue estudar uma maneira de estagnar a degeneração, porém, ele só consegue fazer isso, quando seu filho já está num estágio bem avançado, e mesmo assim, ele termina sua pesquisa e a divide com a comunidade.

Lembrei-me deste filme neste momento, onde eu passava mais um dia tentando explicar o inexplicável, estava envolta aos pensamentos sobre a essência de minha submissão.

Quero que este texto possa um dia ajudar a algum SER a entender-se com a sua submissão antes mesmo de perder aquilo que mais ama que é seu DONO.
Iniciei-me tardiamente na vida sexual, pouca experiência, cheia de tabus, e medos, muitos desejos reprimidos, fechada e reservadíssima.

Com uma inteligência acima da média que fazia me destacar em alguns setores, porém, em outros eu não tinha melindres para lidar com determinados assuntos.

Minha competitividade sempre muito baixa, fazia com que eu sempre olhasse para os oponentes com medo, e me posicionava abaixo do que realmente deveria estar, veja não era baixa estima e sim elevação do oponente.

Apesar de ter consciência do quanto poderia me destacar o medo de perder impulsionava-me para a desistência antes mesmo de iniciar; muito parecido com uma síndrome estudada pela psicologia onde a pessoa que tem medo de altura ao perceber que está num lugar muito alto sofre com o medo e num impulso desmedido pode se jogar.

Neste meio de anseios e situações, conheci o BDSM, este mundo intenso, cheio de cheiros, sensações e gostos, este mundo repleto de emoções e sentidos, um mundo onde as fantasias poderiam aparecer sem se tornarem bizarras, ou seja, acabara de achar meu nicho.

Em meio à vontade e da excelente condução que tive, fui destruindo meus mitos e tabus, coisas que doíam na alma, situações que me rasgavam por dentro, e em um palco mágico, eu me conheci como Mulher.

Num gesto minha guarda foi abaixada permitindo a entrada do COMANDANTE, ao presentear-me com uma lingerie branca mostrou-me os seus desejos, os meus e mais, mostrou-me que estes desejos eram lindos de serem vividos, e com a primeira ordem deferida a mim, estendi a mão de olhos fechados para receber o presente, apenas fechei os olhos e estendi a mão.

De fato foi um pequeno gesto que tirou anos de muralhas, que me fez esquecer experiências ruins. Uma ordem e tudo foi esquecido.

Estendi minha mão de olhos fechados e recebi aquela mão sob e sobre a minha num gesto que fez eu me sentir segura e muito protegida.

Iniciava-se ali, minha vida.

Minha essência de submissa ficou adormecida por muito tempo, a primeira vez que me prostrei para uma inspeção, sentia meu corpo todo se retesar e a recusa vinha forte, e já nua, ouvi aquela voz dizendo; “Se não quiser, não faremos nada, ficaremos aqui somente abraçados”.

Por aquela frase fui levada por uma sensação que não mais deixei de sentir ao longo das sessões que tivemos durante um bom tempo. Um bom e maravilhoso tempo.

Cada sessão um avanço, uma nova sensação, e claro uma nova mulher saía de dentro do casulo e ocupava o corpo da antiga, uma verdadeira metamorfose.

O grande primeiro problema vivido foi quando, no meio do contrato, eu me deparei com um sentimento que eu não conhecia, passei anos de minha vida acreditando que apaixonar-se era uma coisa e de repente, eu me via, em meio a algo que eu não conhecia, muito forte.

Eu havia me descoberto diferente, minha entrega já era necessária, eu sentia falta das sessões, eu sentia necessidade das ordens e da presença, e neste emaranhado de pensamentos, eu senti o cheiro forte da chuva dourada impregnando minha pele, pedi olhando nos olhos que só fizesse se soubesse e tivesse a noção do quanto àquilo era importante e o fez , declarava ali minha entrega: VERDADEIRO SENHOR E DONO de mim.

Na sessão seguinte, eu já fui pensando na chuva dourada, enquanto eu pensava sozinha, mil coisas passavam ao mesmo tempo pela minha cabeça, de tesão a nojo, mas ao sentir o aroma do seu perfume e beijar a mão do COMANDANTE, tudo isso era trocado por um desejo desesperado de sentir aquele lÍquido morno e forte escorrendo por minha pele, e mais, eu sentia sede, queria beber, e sobre mim derramou mais uma vez sua chuva dourada que banhou meu sexo, meu corpo, e respingava em minha boca e eu sorvia, absorvida aos meus instintos.

Levantei-me dali outra mulher, outra pessoa, meus pensamentos não eram mais os mesmo, eu não reconhecia o que pensava, e atrapalhada pelas emoções e atormentada pelos temores, tomada por emoções desconhecidas, fugi da situação e retirei o combinado, reincidi o contrato.

Impulso desesperado de quem não soube combinar a emoção com a razão, e quando consegui equilibrar as emoções, minha razão pediu por minha submissão, e ela já não era mais minha, eu havia me entregado plenamente e com muito medo, fugi de minha essência.

Não tive duvida, pedi, implorei para que me ouvisse e com toda a experiência adquirida fui corajosa para mostrar o medo que eu sentia e o desejo de continuar. Humildemente pedi perdão.

Permitiu-se mais uma vez minha aprendizagem, cada situação uma nova conquista, agora muito mais resistente à dor, os chicotes já lambiam minha pele, pedia pela técnica e ansiava pela chuva dourada que se tornou o símbolo do reconhecimento de minha entrega.

Recebi minha coleira, não tinha o nome do COMANDANTE, então em meio a um emaranhado de sentimentos atrapalhei-me novamente, a princípio e por proteção eu a vi como brinquedo, um erro mais que fatal numa submissa, pois a coleira quando entregue, colocada em seu pescoço, é sinal de reconhecimento e de admiração, não se tem coleira sem ter conquistado seu lugar como serva, e não tem como ser serva se não ter a entrega.

A lição da distância é a mais complicada, afastada devido ao movimento de meu mundo baunilha, e sem conseguir mais ficar sem a submissão, declarei guerra a mim, e me sabotei.

Não consegui aprender esta lição, esta é a mais difícil precisaria de mais tempo para aprender, talvez porque eu use isso como escudo, para não demonstrar o quanto posso ir mais longe e perceber que já não sou mais minha, pertenço plenamente.

Meu inimigo: eu.

Um inimigo forte, que sabe exatamente o que fazer para me destruí, e eu fiz isso, no meio de uma deliciosa calmaria e entrega, explodi com tudo, e entrei novamente num túnel sem volta.

As coisas caiam, e eu gritava e eu pedia, e eu atolava-me em lama ainda mais, e quando dei por mim, estava sendo tragada pelo buraco de minhas emoções.

Ensinamentos entendidos, mas este eu não conseguia controlar, a distancia fazia com que eu renegasse quem eu era, e a atitude tomada fazia com que ela a SUBMISSA viesse à tona, desesperada gritando para ser ouvida.

Muitas lições analisadas, muitas lições aprendidas, pedi e implorei uma nova chance, e sentindo os olhos de comando dentro dos meus dizendo: “Não vou permitir uma nova sabotagem, entendeu, uma nova sabotagem e será fatal para você, não te salvo mais.”

A dor daquele período fez-me enxergar que minha submissão tinha sobrenome sim, não aparecia, era discretamente moldado, e passei o melhor período de minha submissão, conseguia, mesmo que em prantos, falar daquilo que me machucava, e com meu rosto novamente nas mãos de quem em conduzia eu ouvi: “Não vai me perder, eu prometo!” conseguia, em prantos, me abrir cada vez mais, a submissão já havia tomando conta de mim, e eu havia passado a ser extensão de quem me criou.

Estava moldada a seus desejos, deixou de serem “seus” para serem “nossos” e a sincronia e a parceria haviam me moldado de forma tranquila, tanto que no auge de uma crise em minha vida profissional, consegui superar e impedir que isso afetasse minha entrega.

Mas, cometi outro erro fatal, deixei que aquele mundo se tornasse o único prazer e com isso, eu criei o vicio, e como já sabemos todo o vício nos consome, e nos machuca, e quando não temos o ingrediente necessário nos tornamos aquilo que não conhecemos.

Passei este período voltado a mim, havia um currículo oculto para eu aprender, e esta foi à próxima lição difícil, fui reprovada neste quesito, não reconheci o currículo oculto a tempo, não consegui a tempo ler os sinais discretos que me eram dados.

A entrega se tornava cada vez mais forte, eu já pensava em mudanças ainda mais drásticas, como:

• As marcas banhadas a sangue: a vontade de entregar-me sem o uso da safeword, possibilitando o COMANDO completo;

• O empréstimo direcionado: entender que meu empréstimo era necessário para o deleite de quem me tem, pois, só se empresta aquilo que é seu.

• Aceitar uma irmã de coleira era algo mais difícil, mas eu sabia que seria inevitável, era uma maneira de demonstrar a minha entrega acima de minhas vontades, pois a irmã de coleira seria uma aceitação para pleno prazer de quem me conduz.

Perturbada por problemas particulares e de cunho privado, viciada pelo prazer de cada sessão, eu não me dei conta que sobrecarregava a mão que me foi estendida e comecei a cobrar e exigir o que não se podia.

Voltada para mim, esqueci-me de verificar os quesitos do currículo oculto de minha aprendizagem e fiz disso a arma letal para este contrato.

Não pensei.

Esqueci que a submissão é atrelada a DOMINAÇÂO e com isso, ao mesmo tempo em que eu mudava minha submissão, a mutação ocorria também do lado da DOMINAÇÃO.

Não notei as mudanças drásticas que acontecia a cada sessão, estive absorvida em minhas vontades e como submissa pequei em não observar com olhos clínicos as mutações sofridas por quem me conduzia.

Com minhas crises, desconfortos e inquietudes eu produzi em quem me conduzia as mesmas sensações que eu tinha.

Se para a submissa é difícil entender que sente prazer doando-se em plenitude ao DOMINANTE, para este, tirar de dentro de si aqueles demônios que o levam a ter prazer, também é algo dolorido, dores diferentes de intensidades parecidas, mas são dores.

Como submissa, apesar de todos os avisos, não consegui enxergar que minhas crises e recusas criavam no DOMINANTE uma terrível sensação de erro e culpa, possibilitando que os escudos fossem levantados e uma onda de força e crueldade, tendência natural de quem DOMINA, é jogada sobre os envolvidos.
Uma crise desesperadora e desnecessária, uma vez que o submisso é o grande controlador desta tempestade, eu não controlei, eu desabei.

Fragilizada com minhas péssimas escolhas, e desencadeando uma onda de ataque, acabei por destruir algo que construímos com tantos cuidados e dedicação, anos deliciosos, bons e que eu desejo que fiquem intocáveis.

Minha essência de submissão grita dentro de mim, não mais consigo viver sem aquelas endorfinas, sem aquelas sensações entre perigo e proteção, sem aquela dicotomia que faz parte do meu SER.

Culpei ao DOMINANTE por dias, por não ter me dado à mão quando pedi.
Culpei-me, a submissa, por dias, por ter pedido de forma violenta a mão de quem avisou que naquele momento não poderia dar.
Não tem quem culpar.

Agora entendo que ambos foram levados pelos próprios escudos, e levados aos próprios erros, eu por não aprender o currículo oculto de ser submissa e o DOMINANTE por não ter percebido que eu não estava preparada para aprender com a técnica do TEMPO.

Submeter-se é dolorido.

Somos testados e repreendidos a cada instante.

DOMINAR é dolorido.

São o tempo todo cobrados por cada acontecimento da relação.

Um erro do submisso e, nosso DOMINANTE, se protege, e o pior, protege-se de si próprio, e a primeira coisa que faz é nos afastar.

Submeter-se exige técnica e muita dedicação, a necessidade de analisar sua relação D/s se torna necessária.

Não se foi dado conta que, sem querer, usamos algo que foi muito importante para o desenvolvimento da relação: num determinado período onde estamos muito sincronizados, parou-se para ter uma conversa sobre alguns pontos de divergência, foi por meio de uma conversa assim que consegui implantar o pensamento perante o empréstimo e a irmã de coleira.

Numa conversa franca pode-se demonstrar o que pensamos.

Por causa de meu silêncio, erro muito grave na submissão, a técnica de ter tempo pré-determinado, que para mim mexe com feridas emocionais muito profundas, foi um dos grandes vilões do meu mau desempenho.

Jamais se esconde algo de seu DOMINANTE, é uma regra importantíssima de quem se submete é preciso dar as armas para que o DOMINANTE possa interagir contigo, se não explica, não tem como saber a não ser vivenciando, mas isso pode causar um desgaste fatal.

Existem diversas analises a serem feitas, e claro este é meu ponto de vista, busco a plenitude de meu SER, este é meu objetivo, e para isso necessito junto à minha essência de submissão o MEU VERDADEIRO DONO E SENHOR.

De uma coisa eu nunca tive dúvida: VI NOS OLHOS DO COMANDANTE, O VERDADEIRO DONO E SENHOR de mim.

domingo, 4 de março de 2012

O barco

Não tenho mais palavras.

As pessoas estranham o meu silêncio.

Meu comportamento já não é mais o mesmo, e nem é mais o esperado.

No inicio, o silêncio não me permitia olhar para nada, eu não queria escutar as palavras que vinham do fundo de meu coração, eu me escondia de mim mesma.

Depois, quando aprendi a falar, não parei, expressava tudo o que eu sentia, todas as dores e os amores, conseguia colocar em palavras, meus medos, anseios e frustações.

Falei em demasia.

Mostrei-me para quem quisesse ver, e para quem pudesse me ouvir, sem reservas.

Não pude impedir que os sentimentos saíssem em formas de palavras e me mostrasse ao mundo, fui levada pelas palavras como o barco à deriva é levado pela maré.

Como dona deste mesmo barco tento com todas as forças ligar os motores e tomar conta do caminho que vou trilhar, pois à deriva, eu não faço a menor idéia onde irei parar.

Posso parar em águas calmas, seguir para algum porto seguro, posicionar-me tranquilamente, assim como posso parar em águas agitadas.

No momento eu não estou com sorte, eu estou no meio de aguas agitadas, talvez uma pororoca, o barco está sendo jogado de um lado o outro, sem controle de nada.

Os sentimentos tornaram-se o rio e a razão o mar, e ali na pororoca, meu barco a deriva, não consegue se equilibrar.

Absorvida em meu silêncio já não mais falo como antes.

Não consigo equilibrar meu barco, ele se afastou demais do porto e do CAPITÃO.

E, de longe, bem de longe vejo meu porto seguro. Daqui vejo as águas calmas que estão ao redor.

Quero voltar para lá. Eu preciso voltar para lá.

E, enquanto tento equilibrar o barco, tento arrumar os motores, MEU CAPITÃO, está lá, naquele porto seguro, ELE está ali observando, quer ensinar-me a autonomia, minha tripulação, está dentro de mim, e agora, vou colocar cada uma em seu lugar, e, dentro de pouco tempo, quando eu menos esperar, não mais terei meu barco a deriva.

Meu objetivo é ter a chance de me aproximar do porto seguro novamente, e quem sabe, reencontrar-me com o CAPITÃO, agora fortalecida e muito mais experiente.

Enquanto isso, eu faço das palavras o combustível deste barco, e com minha força irei aprender a calar quando for preciso e a falar quando for necessário.

sábado, 3 de março de 2012

Instinto

Olho a olho.

Pele a pele.

Nus feito animais.

Pele reluzente mostrando as dobras.

Corpos livres para a dança.

Dança muda?

Tem que mudar, a dança muda a cada encontro, a dança muda com a intensidade.

Animais contidos.

De roupa só o olhar nu que controla o desejo.

Sem roupa o corpo todo mostra a vontade.

De roupa a boca abre querendo beber um ao outro.

Sem roupa o corpo inteiro pinga.

Os olhos verdes dela revelam sua vontade.

Os olhos negros dele demonstram sua fome.

Neste turbilhão de cheiros, sensações e emoções, os corpos se unem.

Primeiro vem a valsa, calma, envolvente, marcada pelo toque.

Primeiro o beijo que acende.

Depois vem a salsa, frenética, insinuante, ritmado.

Mãos que vão e vem, toques que exploram.

Agora vem o samba, ginga, garra, vontade, união.

Corpos unidos, agarrados, suando e buscando.

Num blues alucinado vem o ritmo que altera a respiração.

Nus e entregues.

Pernas, mãos e braços que se movimentam com ou sem coordenação.

Ficando apenas as vontades a mostra.

Corpos que se lubrificam.

Corpos que se encontram.

Líquidos que explodem demonstrando o mix de tudo.

E, por fim, o clássico, ao som do Bolero de Ravel, corpos que descansam, um sobre o outro.

Macho e Fêmea.

Homem e mulher.

Descansando depois de doar seu desejo, seu amor.

Pensamentos

As palavras começam a fugir e os pensamentos ainda estão aqui precisando de energia.

Quando entrei neste universo de prazeres e conhecimentos eu não conseguia se quer dar um nome a toda as sensações que eu sentia.

Confusão de pensamento seria a palavra correta.

Confundir pensamento é diferente de não ter posição, a gente tem sim, talvez a princípio não conseguíssemos expressar com clareza, mas existe uma posição forte, tanto que ela te dá coragem de adentrar-se neste universo desconhecido.

Estive sobre ombros de gigantes, minha vida inteira, sempre estive junto dos melhores, ao menos são os melhores para mim, nunca me importou saber o que os demais tinham, mas o valor que eu sempre dei àqueles que eu permiti que se aproximassem de mim, àqueles que conheceram minhas inocências, e que me viram crescer. Bons amigos.

A lição aprendida pelo BDSM está sendo a mais intensa, pudera o BDSM, em si, é repleto de intensidade, lida com o lado obscuro de nossos pensamentos, lida com o lado que nem sempre permitimos que apareça, e àqueles que já conseguem olhar para o seu lado obscuro, nem sempre conseguem transmitir segurança, pois, às vezes ainda sentem receio de mostrar, sente medo da aproximação, de dar abertura, tem medo de assustar quem se aproxima.

Ainda bem que tenho as palavras, por mais que elas fujam, gosto de escrever, gosto de saber que um dia alguém lerá e se identificará com uma palavra, uma frase, algo que naquele momento o auxilie em seus pensamentos, um daqueles encaixes perfeitos formando um gancho sólido para agregar algo mais tarde.

Pensamentos deveriam vir com bula, pois, faz bem pensar, mas, deveríamos ser alertados sobre as contra indicações dos mesmos, afinal de contas, estar atento as reações adversas nos faz pisar com mais cautela.

O tempo, para mim, deveria fazer parte de um dos itens desta bula, ele não age como eu gostaria, o tempo me pressiona, as marcas que ele faz em minha história e em minha pele, às vezes, causa uma dor tão intensa que me faz perder o sentido e é neste momento que meus pensamentos, meus anseios e minhas frustações acabam por se misturar e formar aquela substância bombástica que, alguns próximos de mim, já viram explodir.

Tenho medo do tempo.

Tenho medo do tempo, assim como alguns tem medo de passar despercebidos por este mundo, de serem injustiçados, de não serem ouvidos, de não serem os melhores, enfim, cada pessoa tem seus medos.

Hoje, consigo ao menos remeter em palavras os medos que sinto.

Talvez meus medos sufoquem alguém que esteja ao meu lado, ou eu simplesmente precise de alguém ao meu lado que saiba lidar com meus medos, e que não tenha receio de me mostrar os seus quem sabe com esta parceria, poderíamos dividir os medos para somar as felicidades, lá vamos nós para a matemática da vida.

Tem gente que se sente forte sendo o líder de um grupo, esconde seus medos por querer ser sempre o maior para alguém, mas nem percebe que seu medo o faz comandar a todos ao seu modo, pois, não quer perder o controle, tem medo.

Alguns se lançam para o mundo de alguém como se pulasse de um avião sem paraquedas, estas pessoas não percebem que nos primeiros segundos tudo é muito bom, total sensaçao de liberdade, queda livre, mas chega um momento que vai chocar-se com o chão, e tudo acabará, quando se dão conta deste momento gritam seus anseios e suas necessidades e jogam a culpa no piloto, mas não pensam que foram eles mesmos que pularam. Para estas pessoas o medo de nunca experimentar as lançou para o desconhecido e o fizeram por impulso.

Tem outros que se deslumbram, querem a fama, mais e mais, traçam seus planos, almejam que todos falem deles, e esquecem que um dia, naturalmente, o que era novidade de tanto se falar se torna comum, e daí, abre-se um novo espaço. Estas pessoas esquecem que por mais que se abra outro espaço o que elas conquistaram são delas e pronto, pode não ser mais visto, mas se um dia deu prazer, porque não dá mais agora, ou será que o prazer estava na fama?

Enquadro-me em tantos outros casos, a vaidade já tomou conta de meus pensamentos, a inveja já fez tantos passos meus serem mudados, já senti pena de mim mesma, e, a única coisa que nunca deixou de ser minha é a vontade e a facilidade com que eu escrevo o que sinto, isso é meu, é o que faço por mim, sou leal a mim.

Grandes pessoas passaram por minha vida, e tantas outras ainda virão, há aquelas que eu sentirei saudades e que sei que nunca mais voltarão, mas há aquelas que eu sinto muita vontade que voltem, e sei que isso só ocorrerá se dentro do universo que elas traçaram para si, elas permitirão esta volta, mas sei que não devo parar minha caminhada, quem sabe os caminhos se cruzarão novamente, enquanto isso, fica a saudade.

Não vejo o BDSM diferente disso tudo, eu o acoplo em minha vida como uma forte especiaria, eu vejo o BDSM como gengibre, é intenso o sabor, faz bem, mas nem todo mundo tem ousadia em colocar em seu alimento de vida, eu amo gengibre, sempre o colocarei em minha vida.

Viver BDSM para mim é isso, é o meu BDSM, é a vontade que tenho de viver o intenso, de me entregar por inteiro, de sentir necessidade de ajoelhar-me aos pés de quem me conduz, é deixar-me levar por caminhos que desconheço e por lugares que ainda não avancei, é deixar-me permitir, desejar a mão de alguém, que esta pessoa se aproxime de mim a ponto de chegar às linhas mais tênues dos meus limites, é entrega e pronto.

Quero viver o BDSM, dia a dia, todos os dias, e para isso, preciso que alguém também assim o queria, pois, não consigo ter BDSM apenas como uma vida paralela, eu acredito num BDSM acoplado com minha vida comum, e acredito que somos inteligentes para fazermos isso sem chocar ninguém, sem precisar se aparecer para ninguém, a não ser que queira, a não ser que isso faça parte de desejos.

Em minha visão de BDSM não existe coisa mais linda que um casal que acople a vida BDSM à vida comum, e que somente eles saibam disso, é de um prazer delicioso estar no meio comum, e sentir no olhar de quem conduz a ordem, o desejo, aquele momento que só um casal D/s tem.

Meus pensamentos andam incontroláveis, viajo em minhas palavras e ainda não consigo colocá-las todas de uma só vez, o faço em pedaços, e espero escrever sempre, pois sempre quero decifrar meus pensamentos, que assim seja, hoje, amanha e sempre.



(Felicidade a todos nós. Sophie_Vie)

sexta-feira, 2 de março de 2012

Cane

CANE

Ana estava ali, parada, não consegui se mexer, suas pernas estavam paralisadas.

O ar faltava e ela não conseguia distinguir entre surpresa e tesão.

Alberto segurava uma cane de borracha que no escuro do quarto mal conseguia ser vista, ele sorria e balançava a cane, e Ana arrepiava-se toda.

Nunca havia sentido aquela sensação um misto de medo e tesão que a tiravam do prumo, enquanto pensava, nem notou a aproximação de Alberto.

- O que dizia, cadelinha? Queria me dizer algo? O Que é? E, com a mão livre tirava o cabelo longo e encaracolado de Ana dos ombros e beijava-lhe a nuca fazendo com seu corpo todo estremecesse afinal de contas, o cheiro daquele Homem a entorpecia.

Encheu os pulmões de ar, sorriu e se afastou dizendo:

- Nossa como você é distraído, eu estava dizendo que não vou andar por ai sem calcinhas só porque você acha que pode mandar, é um absurdo. Mesmo falando assim, não conseguia olhar para os olhos Dele pois, se assim o fizesse não teria coragem de emitir um som.

Ana muito corajosa, ao mesmo tempo que sentia medo daquele Homem, ela queria que ELE percebesse que ela á alguém tão forte quanto ELE que ela é capaz de lutar por aquilo que acredita e que ela não está ali para mostrar nada a alguém ou fazer porque alguém faz, mas que o faz porque deseja lhe dar prazer.

Balançando a cabeça de um lado a outro, como quem diz, tadinha, este gesto fez Ana sentir o corpo ferver, que Homem arrogante, quem ele pensa que é para mandar que ela vá trabalhar sem calcinha, ou que duvide do quem ela é, esta ai, na frente dela, com algo na mão a ameaçando, “Não!”, ela pensava ELE não vai me dominar assim.

- Menina, que desobediente, não fez o que mandei, fica me chamando de “você” toda hora como se falasse com um namoradinho, seu maridinho, menina, você esta perdendo a noção de quem eu sou, então terei que tomar providencias.

- Fico irritada quando você fala comigo como se eu fosse criança, e não vejo mau nenhum em um Homem ser namorado ou marido, não precisa tratar deste assunto com tanto desprezo.

- Quietinha, fique quietinha, tem um Demônio pensando aqui, não estou gostando nada, nada deste comportamento.

Ana já estava transpirando, “Que saco!”, esbravejou e virou-se para alcançar a garrafa de água, vestia uma belíssima calcinha de renda roxa e uma blusinha branca, era o acompanhamento de sua roupa de trabalho do dia, ela sabia que iria se encontrar com ELE ficou horas escolhendo as roupas, fez cabelo, unhas, preparou-se para ELE como uma cortesã e ELE vai lá e já sai reclamando de sua calcinha.

Absorvida pelos pensamentos e deliciando-se com o frescor da água, nem percebe Alberto se aproximar, sem nenhuma palavra ele a gira pressionando seu corpo contra a parede, tira a garrafa de sua mão e a beija esfomeado, ela mal consegue respirar.

Apesar de ser uma mulher grande, bem clarinha de formas arredondadas, não consegue forças para se desvencilhar de seus braços, empurra , luta, mas só consegue com que ELE fique mais excitado, pois, seu corpo se esfrega ao dele mais e mais.

Sente seus braços serem erguidos ao alto de sua cabeça, e com uma mão ELE os prende e com a outra vai em busca de seu seio, apertando o bico com tanta força que arranca um gemido que é abafado pela língua que explora sua boca.

Ana não sabe se luta, se grita, se morde, quando sente um tapa estralando em seu rosto, assusta, seus olhos ficam mais verdes e ela o encara, e nota aquele semblante duro, olhando seus olhos e dá-lhe outra bofetada que a faz virar o rosto, e sem esperar a boca torna tomar a dela, num beijo apaixonado, e com o rosto latejando e com a caricia daquela língua dentro de sua boca, Ana amolece o corpo em sinal de entrega.

Sente naquele instante o corpo daquele Homem, sua pele negra e quente, seus braços fortes, aquelas pernas de musculatura firme separando as delas, fazendo com que seu sexo ficasse pressionado e sentia aquele pau duro esfregando-se em sua barriga, não podia deixar de pensar que o tesão que sentia por ELE aumentava a cada encontro.

Foi sendo levada pelas emoções e sensações, e quando se deu conta, estava amarrada a um gancho no alto da parede do quarto, suas pernas estavam presas em outros ganchos próximos ao chão, estava com os braços e pernas abertas, como havia chegado ali, ela não conseguia agora pensar, foi como se ela tivesse sofrido um apagão.

Ele se aproximou dela, puxando seus cabelos a fez virar o rosto para ELE, ela estava de frente para a parede e ELE chegou encostou-se ao seu lado, lambendo a pontinha de seu nariz arrebitado.

- Que nariz bonitinho! Agora mocinha, verá o que é desobedecer seu Senhor, e por cada você dito anteriormente receberá 10 golpes, está me entendendo?
Ela meneava a cabeça confirmando sua compreensão, mas estava focada a olhar aqueles olhos que a engoliam e aquela boca que desejava na sua, e como se ELE lesse seus pensamentos a beijou, seu beijo estava mais violento agora, segurava seu cabelo com força, fazendo com que sua cabeça fosse bem pra trás, e com a outra mão, tocava-a, violentamente, parecia que ELE queria arrancar algo dela, seu corpo se esquentava e Ana estremecia, ELE sem piedade foi intensificando seu toque até que Ana, já sentindo os espasmos de seu tesão consumindo seu corpo levou um tapa em seu sexo, que a fez gritar.

- Nada disso, cadelinha, não é hora de gozar, é hora de conhecer a cane, nada de “safe”, não adianta chorar, nem gritar, agora, é hora de você aprender seu lugar.

E, largando seu cabelo e se afastando, fez com que Ana sentisse, medo, frustação, desespero, eram emoções fortes que ela não conseguia controlar, e quando sentiu o primeiro golpe, gritou e mais outro, e outro, aquele Homem sabia como a deixar enfurecida, era isso, um golpe lentamente após o outro, já que ia fazer porque não fazia logo, rápido, ela não entendia.

A cane cortava o ar e estralava em sua carne, sua musculatura todinha se retesava, sentia o sangue correr e sentia as batidas de seu coração, não conseguia distinguir se a dor era irritante ou se a maneira com que ELE demorava de um golpe a outro que a irritava.

Ana a principio contava, mas já estava enlouquecida de tanta vontade de chorar, mas ela não queria chorar, estava lutando, mas ELE desejava suas lágrimas, e foi aumentando a intensidade dos golpes, até que mais um e Ana gritou e as lágrimas desabaram.

Seu corpo tremia todo, seus braços e pernas doíam, não tinha ar, não tinha forças para ficar ali em pé, seus músculos doíam muito, e enquanto chorava e sentia o ardor da pele, ELE puxou seus cabelos e a esbofeteou, ela gritou e sua boca foi coberta com a DELE, sua mão foi direto ao sexo de Ana e entre beijo e massagem ao sentir o corpo de ANA estremecer, ele a puxou pelos cabelos.

- Olha para mim, olha!

Ana abriu os olhos e enfrentou os olhos daquele Homem, e uma onda fez seu corpo todo estremecer e ela sentiu seu sexo explodir, colocando para fora seu gozo, sentiu escorrer pelas pernas, num jato forte, seus olhos não conseguiam se desvencilhar dos dele, e neste topor sua boca foi coberta novamente, mas agora, sentia um beijo tenro e carinhoso, chorava muito Ana.

Sentiu quando ele a soltou, mas ela não conseguia se mexer, seus braços doíam muito, e suas pernas estava pesadas, ELE a apoiou e a levou até a cama, quando ela se sentou, seu grito ecoou pelo quarto, e novamente iniciou um choro, desesperado, compulsivo, ELE ajudou-a a se ajeitar para que não sentisse dor e de lado, ela ficou parada e chorando.

ELE movimentava-se pelo quarto e Ana ficava mais triste, pois ela precisava DELE ali com ela, mas seu movimento pelo quarto foi compreendido quando Ana sentiu a mão quente daquele Homem tocar sua pele, a principio Ana tentou fugir daquelas mãos, mas ao ouvir sua voz acalmando-a dizendo que só iria cuidar de sua pele marcada, ela começou a se acalmar.

ELE a tocava com uma delicadeza absurda, sua mão fazia movimentos leves e o calor da mesma a deixava envolta por uma onda deliciosa, era como se ELE a estivesse anestesiando, sua dor ia passando e o desejo de ter aquele homem dentro dela, ia aumentando.

Como se ELE tivesse lendo seus pensamentos, ELE deitou-se ao seu lado, colocando-a entre seus braços e pernas, seu corpo quente fazia com que Ana se mexesse bem de leve como se quisesse o sentir com todas as células.

O carinho intensificando, Ana sentia o ferro negro e delicioso latejando entre suas pernas, ela deseja mais, ELE a foi moldando, moldando, e quando Ana percebeu sentiu uma dor forte, ardida, sentiu como se algo rasgasse sua carne, ELE a segurava na cama com força e com um só golpe entrou em seu rabinho, que a fez gritar desesperada de dor, suas lagrimas e saliva se misturavam na fronha do travesseiro, enquanto ELE, quieto, duro, forte, ainda dentro dela foi beijando-lhe o glóbulo de sua orelha, mordiscando de leve sua nuca, e quando ANA já havia retornado de seu estado de muita dor, foi bem devagar se movimentando, Ana agora, chorava, mas já sentia o calor daquele membro forte dentro dela, com sua nuca sendo mordida de leve, ouvindo a voz daquele homem, “Calma, menina, calma, vai passar, deixa eu te levar... Confia em mim!”, uma nova onda de calor foi tomando o corpo de Ana que foi se envolvendo e se mexendo no ritmo daquela voz, e quando se deu conta, estava de quatro, rebolando e ajudando-o a entrar mais e mais forte dentro de seu rabinho.

Sua mão estava em seu clitóris, e hora ela o alcançava, massageando as bolas enquanto o pau estava todinho dentro dela, e intensificando esta massagem, explodiu em gozo apertando aquele delicioso membro dentro de seu corpo, e , enquanto gozava, ELE a segurava com muita força, enterrando seu membro cada vez mais fundo, e com uma mordida seca em sua nuca ELE urrou de prazer, jogando todo seu gozo para dentro dela num jato forte e quente que a fez sentir outro espasmo, caindo os dois juntos na cama, ela por baixo e ELE por cima, ainda dentro dela, e ficaram assim por alguns minutos.

Instantes depois, ela mal conseguia se mexer no meio daqueles lençóis molhados, ELE se levantou primeiro, a ajudou a deitar no alto da cama onde estava seco, pegou uma toalha umedecida passando por todo o sexo de Ana, lavou-se, e deitou ao seu lado, puxou-a para si, ela mal consegui se mexer, mas enroscou-se naquele peito.

- DONO meu, obrigada. Pegou a mão de Alberto e a beijou docemente, no dorso em sinal de respeito e passando a língua na palma, em sinal de receber seu alimento por aquela mão, a mão do Dono.

- Disponha menina, falava enquanto beijava sua testa, disponha!

Ana adormeceu sentindo seu corpo todo relaxar, ouvindo a respiração de seu Dono e Senhor e sentindo o estado de descanso que ELE estava pelo prazer que ela havia proporcionado e sentido.

A dor do aprender

Viver modifica, molda, estrutura, alicerça e em muitos momentos dói.

Na verdade, tudo dói quando se deixa ser tomado pelas emoções.

As emoções demonstradas em excesso são altruístas, elas explodem porque nossos caprichos e desejos não chegaram ao ponto que desejavamos, ou se chegaram acreditamos que somos os donos da verdade por isso, o egocentrismo supera o conjunto da obra e o superego aflora.

Quando perdemos a mão de nossas emoções, choramos, gritamos, berramos e babamos, simplesmente para que sejamos ouvidos e dentro das possibilidades, prender por amor é algo que desejamos que aconteça, aquilo que nos daria um prazer imediato.

Crescer é isso, aprender é isso, é saber lutar. Escolher armas. Traçar estratégias. Pensar que cada ato e atitude irão remeter a um dado caminho.
O medo pode deixar cego, aproximando a necessidade de aprender, uma vez cego precisa aprender rapidamente a se posicionar com os outros sentidos. Se sentir medo, corra e busque em outras virtudes armas para continuar em sua trilha de vida. Mas, o bom de crescer é o aprender, é descobrir que suas necessidades mais escondidas, não conseguem ter voz, porque de alguma maneira você as está bloqueando.

Deixei-as gritar.

Em conversa, aconselhei com a seguinte frase: “Não sei o que você busca, eu, hoje, preciso de um Homem ao meu lado: companheiro, cúmplice, parceiro, do qual eu admire e respeite e que ele olhe para mim com admiração e respeito, vendo em mim as virtudes que ele almeja em alguém para estar ao seu lado, que se sinta e faça necessário assim como eu também quero ser e sentir-me, necessária ao Meu HOMEM.”

Nem mesmo eu, havia notado o quanto eu precisava gritar isso dentro de mim, como era forte este meu desejo e nos caminhos que escolhi, não havia permitido com a característica de necessária e sim de conveniente.

Fugia de meus próprios anseios e desejos, fugia de meus sonhos e não caminhava em busca do que eu desejava, talvez por medo, talvez por comodidade, ou simplesmente talvez porque não era chegada a hora.

Eu mudei.

Meus paradigmas foram substituídos, e outros foram definitivamente arrancado, e outros ainda, estão esperando por novos argumentos, novos estudos a fim de serem reformulados ou definitivamente enraizados.

Neste momento, apenas sei, que sinto vontade de saber mais a respeito de mim e de meus anseios, e começo a enxergar que um relacionamento só consegue dar certo se ambos estão andando lado a lado, às vezes, nem importa o que buscam, mas que juntos buscam o que há de melhor para cada um.



(Felicidades a todos nós. Sophie_Vie)

Ésse

Serenamente discreta.
Serenamente aproximei-me de mim...
Serenamente observei minhas vontades...
Serenamente olhei ao redor e pude encontrar meu caminho...
Serenamente aproximei-me dos prazeres...
Serenamente abandonei alguns medos...
Serenamente me entreguei...
Soberbamente me ergui...


Soberbamente aproximei-me do mundo...
Soberbamente experimentei coisas...
Soberbamente bebi do vinho mais intenso...
Soberbamente embriaguei-me de mim...


Discretamente sorri
Discretamente chorei
Discretamente senti até, que tudo o que era discreto, se foi...

Simultaneamente doeu e cresceu...
Simultaneamente partiu e modificou...
Agora...
Simultaneamente descobri que soberbamente serena eu dizia quem sou.


(Felicidades a todos nós. Sophie_Vie)

Mulher Adormecida

Cada um de nós sabe exatamente o que busca.

Às vezes, a busca pode não estar diretamente declarada dentro de si, assim como não estava dentro de mim, pode não estar tão clara, mas ela sempre existiu.

Há cinco anos, estudo BDSM, e sei muito bem que sou uma mera criança neste departamento, mesmo porque minhas relações e ações ainda são de cunho emotivo, mesmo porque uma de minhas características mais forte é a minha linha emocional.

Claro que cada um de nós tem uma característica que se destaca mais ou menos, mas aprendemos a nos adaptar ao mundo em que vivemos, é nosso instinto de sobrevivência.

Já me disseram que sou clara demais, que eu abro todas minhas reservas que eu não me protejo, e isso para mim nada mais é do que sempre deixar claro aquilo que sinto. Também, já ouvi dizer que sou ética demais, e se depender de mim sempre continuará sendo.

Aprendi a ser eu mesma, pois tenho que ser plenamente fiel e leal comigo mesma, e olhe que já pisei na bola feio, afinal de contas tenho ciência que não posso ser perfeita todo o tempo.

Uma coisa que faz eu me decepcionar com as pessoas é elas simplesmente não me enxerguem, uma vez que me mostro por inteiro, ou que vejam em mim defeitos que não tenho, consigo receber criticas com maestria e muitas vezes tento reposicionar-me, porém, sempre tive muito medo de ser acusada injustamente por algo que eu não tenha feito ou pensado, por isso sempre falei o que pensava e mostrava claramente quem sou, para mim não existe coisa mais triste do que ser acusado de algo que não fez.

As pessoas têm que aprender a confiar, confiança é à base de qualquer relacionamento, sendo entre baunilhas e muito mais potencializados àqueles que vivem um relacionamento BDSM, conhecer quem está próximo, se estiver ou permitir estar próximo é claro, dando-lhes ao benefício da dúvida.

Mesmo eu sendo sincera, verdadeira, clara, honesta, leal, fiel, errei em alguns momentos em escolher as melhores atitudes para demonstrar as minhas qualidades mais específicas e como resultado acabei passando em alguns momentos uma má imagem de minha personalidade, nunca fui boa em propaganda própria.

Hoje eu entendo que não só eu tenho que trabalhar para ser clara o tempo todo, eu tenho que estar diante de quem deseja a aproximação, de quem acredite no que vê e, que deseje o que vê. Diante deste quadro, existem duas pessoas se relacionando, ambas precisam medir suas ações o tempo todo, e se uma não responda como a outra deseja isso não quer dizer que a outra tenha um desvio de caráter, talvez seja apenas ponto de conflito entre culturas diferentes.

Eu tenho sonhos, desejos, fetiches, vontades que estão escondidas dentro de mim deste muito cedo, vontades que sempre existiram desde que eu descobri minha sexualidade.

A grande diferença é que quando se está num grupo diferente daquilo que você deseja, simplesmente você esconde todos eles, esconde até mesmo de você.

E, foi assim que o BDSM apareceu em minha vida.

Num momento, estava sentindo-me um peixe fora d’agua por gostar de coisas diferentes, por excitar-me quando lia romance cujos personagens tinham uma vida atípica, eu gostava dos “mocinhos” malvados, aqueles que eram chefes de bando, que se posicionavam como Dominadores, líderes cruéis e impiedosos, mas que apesar de toda sua rigidez, cuidavam e protegiam quando admirava e recompensava quem os amasse do jeito que eram, e por ai vai.

Quando li, “A caricia do Vento” meu primeiro romance da adolescência surpreendi-me com os sonhos que tinha naquele tempo, assustei-me, mais tarde com “A casa dos budas ditosos”, excitei-me com varias passagens daquele livro, onde a vida sexual de uma mulher é relatada de forma clara, era como se em alguns momentos eu me reconhecesse, e mais, admirei a coragem do personagem.

Deliciei-me quando vi o filme “Delta de Vênus”, sentia-me como a escritora, que conseguia colocar todos os seus desejos para fora quando ela escrevia seus contos, e suas inspirações vinham a cada encontro que tinha com seu amante, um Homem que a fez enxergar sua feminilidade.

Agora o que mais marcou a historia de minha feminilidade foi o filme “A secretária”, via naquela personagem o estereótipo que pudesse explicar-me ao longo de algumas fases que passei, e foi neste momento que conheci o BDSM, até hoje, acredito que a cena final, onde ela alimenta o sadismo de seu Homem na espera de servi-lo e senti-lo com ela.

Depois disso, a literatura BDSM, passou a ser incorporada em minhas leituras: Masoch, Anais Nin são os autores que mais li, mas, também “Historia de O”, “O juiz do SM” foram filmes acoplados em meus estudos.

Inúmeras mulheres, assim como eu, tiveram sua sexualidade reprimida por anos, algumas delas ainda não conseguiram se libertar, e tantas outras passaram pelas suas vidas presas a tabus e preconceitos.

Sinto-me vitoriosa em alguns aspectos, segui os caminhos que eu escolhi, sou corajosa e guerreira, eu descobri coisas que achava que só vivenciaria lendo em contos e livros, lutei com armas justas sem nunca ter pensado em passar por cima de ninguém, nem ter desejado a vida de alguém, eu faço a minha história.

Quando me encontrei com o BDSM dei vida e razão as minhas fantasias, aprendi a não ter medo de meus desejos, e fui conduzida perfeitamente a conhecer-me a quebrar alguns de meus tabus e medos.

Descobri que não adianta somente amar, hoje sei que um bom relacionamento é feio de conquista e de uma conquista vivida diariamente, é levantar todos os dias com a vontade de se fazer notada e de notar todos os desejos de seu companheiro.

Errei em muitos pontos, acertei em tantos outros, mas a confiança é algo que não pode ser transgredida.

Confiar é doar-se e se fazer confiável.

É fazer com que seu parceiro se sinta seguro ao seu lado, é construir elos e relações fortificando-os a cada momento, é um composto de atitudes, ações, falas e representações.

Mudaria algumas coisas do passado, reviveria tantas outras na íntegra, reivindicaria várias posturas que me permiti, erroneamente, tomarem diante de mim, e assim por diante.

Meu mundo é plástico, eu gosto de moldá-lo a cada nova informação, às vezes permanecendo com os pontos anteriores simplesmente agregando e transformando.

Nunca julgue quando tiver dúvida num dos fatos observados, tente sempre acrescentar mais, investigar mais, agregar mais.

Minhas vontades sempre existiram, e sempre existirão, e não me importa se minhas vontades um dia serão ou já foram vontades de outro alguém, o que me importa é o meu sentir, o meu vivenciar.

Havia técnicas do BDSM que eu disse um dia: “Credo!Isso eu não faço!”, hoje ajoelho-me (coisa que disse que não faria um dia) implorando por algo que um dia desconjurei.

Coisas da vida da gente.

Surpreendo-me com meus desejos, mas surpreendo-me muito mais com o que posso fazer pelo desejo daquele que esteja comigo.

Algumas coisas muito importantes eu aprendi sobre mim, eu sou uma mulher que se entrega, e se entrega por amor, se eu me ajoelhar será porque eu quero, e não porque eu vi ou me mandaram fazer, se eu me entrego, é porque vejo na entrega uma forma de exteriorizar o que sinto, se eu obedeço é porque sinto prazer em obedecer aquele que me conduz.

Quando sou de alguém, sou por inteira, não me peça apenas uma parte e não me ofereça migalhas, pois, mais cedo ou mais tarde precisaremos de mais.
Sim, precisaremos é a palavra certa, pois, não só eu precisarei de mais, a minha entrega será maior porque estarei sendo conduzida a prazeres maiores de quem me tem, então, nós precisaremos de mais.

Quem me conduz sabe fazer-se completo, também tem a coragem de me colocar em meu lugar que seria aos seus pés. E, quando me curvo, ele saberá que não é uma cena apenas, e sim uma condição de existência do meu ser para o seu ser.

Servir, por amor, companheirismo, cumplicidade, parceria, lealdade, fidelidade, confiança, respeito e admiração, é meu único intuito.

Não consigo pensar em sessões avulsas, não consigo me posicionar em situações passageiras, pois o meu prazer está diretamente vinculado em até onde posso ir e qual caminho alcançar agora, então, minha servidão é por si só galgada a uma conquista diária.

Surpresas, afeto, carinho, apreço combinados com tesão, vontades, libertinagem, sacanagem, e tantos outros fatores fazem a dicotomia que desejo viver.

Viver intensamente oito e oitenta, oitenta e oitocentos, oitocentos e oito mil, etc.. Sempre levada por amor e elevada por entrega.


(Felicidades a todos nós. Sophie_vie)