sábado, 3 de março de 2012

Instinto

Olho a olho.

Pele a pele.

Nus feito animais.

Pele reluzente mostrando as dobras.

Corpos livres para a dança.

Dança muda?

Tem que mudar, a dança muda a cada encontro, a dança muda com a intensidade.

Animais contidos.

De roupa só o olhar nu que controla o desejo.

Sem roupa o corpo todo mostra a vontade.

De roupa a boca abre querendo beber um ao outro.

Sem roupa o corpo inteiro pinga.

Os olhos verdes dela revelam sua vontade.

Os olhos negros dele demonstram sua fome.

Neste turbilhão de cheiros, sensações e emoções, os corpos se unem.

Primeiro vem a valsa, calma, envolvente, marcada pelo toque.

Primeiro o beijo que acende.

Depois vem a salsa, frenética, insinuante, ritmado.

Mãos que vão e vem, toques que exploram.

Agora vem o samba, ginga, garra, vontade, união.

Corpos unidos, agarrados, suando e buscando.

Num blues alucinado vem o ritmo que altera a respiração.

Nus e entregues.

Pernas, mãos e braços que se movimentam com ou sem coordenação.

Ficando apenas as vontades a mostra.

Corpos que se lubrificam.

Corpos que se encontram.

Líquidos que explodem demonstrando o mix de tudo.

E, por fim, o clássico, ao som do Bolero de Ravel, corpos que descansam, um sobre o outro.

Macho e Fêmea.

Homem e mulher.

Descansando depois de doar seu desejo, seu amor.

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